quarta-feira, 17 de maio de 2017

SITRAEMG promove debate sobre assédio moral

O Comitê Gestor de Atenção Integral à saúde do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região, promoveu, em parceria com o SITRAEMG uma mesa de palestras e debates sobre o assédio moral no trabalho. O evento aconteceu na última sexta, 12 de maio de 2017, em um dos auditórios do prédio do TRT, na Avenida Getúlio Vargas, 225.  
Para compor a mesa, foram convidados o desembargador e presidente do TRT Júlio Bernardo do Carmo, o vice-presidente do TRT Luiz Ronan Neves Koury; a desembargadora e também coordenadora do comitê Denise Alves Horta; a desembargadora do TRT Rosemary de Oliveira Pires e os Juízes do TRT Claúdio Roberto Carneiro e Rodrigo Bueno; o secretário de saúde do TRT da 3ª Região, doutor Geraldo Mendes Diniz; e o psicólogo do SITRAEMG Arthur Lobato. 
Os desembargadores Júlio Bernardo e Luiz Ronan deram boas-vinda aos presentes e lembraram da importância de falar sobre o assunto, uma vez que todos os trabalhadores estão sujeitos a este problema. Lembraram também, que o dia Nacional de Combate ao Assédio Moral é comemorado no dia 02 de Maio.
Denise também deu suas palavras e lembrou da importância de uma mesa de debates para que os mitos e as verdades sobre o assédio moral sejam esclarecidos e para que ocorra uma troca de conhecimento.  A juíza Rosimary também falou e explanou sobre a necessidade de empatia e alteridades nas relações humanas e para entender melhor.  
Logo depois o, doutor Geraldo Mendes, abordou o o tema “Assédio moral e sofrimento psíquico”.  Durante a palestra, o secretário explicou que o trabalhador que sofre assédio pode apresentar diversos problemas, como depressão e ansiedade além de hipertensão. Além disso, Geraldo também lembrou que o TRT possui um departamento específico para cuidar de doenças relativas ao trabalho e que ele existe há 22 anos. 
O juiz Claudio Roberto Carneiro de Castro, autor do livro “O que você precisa saber sobre o assédio moral nas relações de emprego” , levantou as diversas questões jurídicas acerca do assédio e do dano moral no ambiente de trabalho. O também juiz do TRT, Rodrigo Bueno apontou que a questão do assédio envolve principalmente o problema de metas de trabalho e que muitos casos de assédio ocorrem em conversas e reuniões particulares entre trabalhadores e superiores. 
O psicólogo do Sindicato Arthur Lobato apresentou dados alarmantes: no país, acontecem, por ano, cerca de 700 mil acidentes de trabalho e problemas relacionados a doenças ocupacionais.  Lobato também deu ênfase na necessidade se mudar  a cultura organizacional que se baseia num modelo de metas altas e que o trabalho não tem fim e o quanto isso pode ser prejudicial ao ser estruturado no serviço público. 
Um pequeno intervalo foi feito, e um lanche foi servido a todos os presentes. Logo após, a mesa redonda continuou com o debate e abriu o espaço para a plateia fazer perguntas aos que estavam na mesa e para sugerir meios de se combater dentro dos ambientes de trabalho do Judiciário, o assédio moral. 
Abaixo a galeria de fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/











quarta-feira, 10 de maio de 2017

TRT promoverá debate sobre “assédio moral no trabalho”

Evento será voltado para servidores do Tribunal; Psicólogo Arthur Lobato, responsável técnico pelo DSTCAM do SITRAEMG, participará como um dos expositores do evento.
O psicólogo Arthur Lobato, especialista em saúde do trabalhador e responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG, e nessa condição integra o Comitê de Saúde do TRT da 3ª Região, participará da “Mesa redonda: assédio moral no trabalho”, que será promovida pelo TRT da 3ª Região no próximo dia 12 de maio, no plenário 2 de sua sede (Avenida Getúlio Vargas, 225), em Belo Horizonte. O evento, promovido pelo comitê gestor de saúde do TRT, criado pela resolução 207/CNJ e coordenado pela desembargadora Denise Alves Horta, será voltado exclusivamente para servidores do Tribunal.
Conforme informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRT, o comitê de saúde já realizou um total de 11 reuniões, sendo oito no ano passado e três em 2017. O juiz Rodrigo Ribeiro Bueno, um dos expositores no debate programado para o dia 12, é o representante da 1ª Instância no comitê.
PROGRAMAÇÃO
  • 15h – Abertura: Desembargadora Denise Alves Horta
  • 15h15 – Assédio moral e sofrimento psíquico:  Psiquiatra e Secretário de Saúde Dr. Geraldo Mendes Diniz
  • 15h45 – Assédio moral e a visão do magistrado: Juiz Cláudio Roberto Carneiro de Castro e Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno
  • 16h30 – intervalo
  • 16h40 – Formas de combate ao assédio moral: Psicólogo Arthur Lobato (Sitraemg)
  • 17h10 – O que o Tribunal tem feito: Dr. Geraldo Diniz
  • 17h20 – Debate
  • 18h – encerramento
DSTCAM DO SITRAEMG
A saúde do trabalhador do Judiciário Federal e o combate ao assédio moral nos locais de trabalho foram algumas das principais bandeiras de luta apresentadas durante a campanha que elegeu a atual diretoria executiva do SITRAEMG. Cumprindo o compromisso assumido, a diretoria levou ao X Congresso do SITRAEMG, realizado em abril de 2015, em Juiz de Fora, a proposta de criação do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM), que foi aprovada por unanimidade pelos participantes.
O departamento começou a funcionar em meados do mesmo ano passado, e, desde então, vem mantendo uma intensa agenda de trabalho. Além de atender os casos de adoecimento e assédio moral apresentados/denunciados pelos filiados, procurou discutir o tema com a categoria nos diversos eventos promovidos pelo Sindicato, como os encontros regionais, rodas de conversa e o Seminário do DSTCAM – promovido pela entidade em novembro do ano passado, reunindo durante dois dias, em debate em Belo Horizonte, profissionais de saúde dos mais renomados do país com experiência em saúde do trabalhador. E, graças à busca de aproximação do DSTCAM com os departamentos de saúde dos tribunais, tornou-se possível a inclusão de representante do mesmo nos comitês de saúde instituídos pelos respectivos órgãos. Melhor para os servidores do Judiciário Federal em Minas Gerais.
“Vai ser um debate muito bom e nossa preocupação é grande sobre a matéria. Inclusive, dentro dos 30 sindicatos do PJU, o SITRAEMG está sendo vanguarda no projeto contra o assédio moral no serviço público (clique AQUIe leia a matéria)”, salienta o coordenador geral do Sindicato Alexandre Magnus.

Assédio moral e o adoecer do trabalhador

Por Arthur Lobato, psicólogo, responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG.
O assédio moral no trabalho é um fenômeno perverso realizado através de constantes ataques por meio de atos repetidos, persecutórios, sistematizados. A vítima sofre humilhações, tratamento diferenciado, injustiças. Essas atitudes, feitas com a intenção de prejudicar alguém, criam uma ruptura na autoestima e na motivação do trabalhador, levando ao adoecer psíquico e emocional.
Três elementos são essenciais no assédio moral: o agressor, o alvo (vítima) e o contexto que permite que o assédio aconteça (organização do trabalho). Por isso, só se altera o ambiente de trabalho se a empresa ou a instituição estiver envolvida na mudança.
Em todo assédio moral existe a discriminação e não aceitação da diferença. Mas existem diversos tipos de assédio moral no trabalho. O termo “vertical” e “horizontal” tem relação com à hierarquia.
O assédio moral vertical descendente é o mais comum. É aquele praticado pela chefia contra seu subalterno. Segundo Freitas, Heloani e Barreto trata-se do caso mais comum de expressão de abuso de poder e tirania de chefes nas estruturas muito hierarquizadas. Os chefes se sentem “deuses” impunes e estão na raiz desta ocorrência.
Já o assédio moral vertical ascendente é quando algum subordinado pratica o assédio moral contra o chefe, e é muito raro em função das relações desiguais de poder, entre chefe e subordinado. Pode ocorrer quando o subordinado tem acesso privilegiado ao seu chefe ou aos pares de seu chefe, e utiliza esse acesso para maledicências, fofocas, intrigas, injúrias.
Quando o assédio moral acontece entre colegas é chamado de assédio moral horizontal. Parte do grupo exerce o assédio contra outro grupo: mais novos contra os mais velhos; mais capacitados que almejam promoções e discriminam aqueles que consideram menos capacitados. “Os grupos tendem a nivelar os indivíduos e a não suportar as diferenças. As distinções podem servir de pretexto para desencadear agressões que aos poucos podem se tornar assédio moral”.
Freitas, Heloani e Barreto afirmam: “no nível organizacional são vários os efeitos nocivos, entre eles: o afastamento de pessoal por doenças e acidentes de trabalho, a elevação do absenteísmo, e o turn-over (rotatividade)”. Marie-France Hirigoyen, especialista no tema, denuncia também o assédio institucional, que é um instrumento de gestão do conjunto de pessoal.
Em todo assédio moral há manipulação para se adquirir poder, sendo a inveja, o ciúme e a rivalidade o combustível do assédio moral. Caso não seja impedido, pode causar danos irreversíveis à saúde do trabalhador, prejudicando o ambiente de trabalho como um todo.
Somente a prevenção, o debate, o diálogo e as mudanças na organização do trabalho podem alterar esta realidade.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DEPARTAMENTO DE SAÚDE DO TRABALHADOR E COMBATE AO ASSÉDIO MORAL (DSTCAM) – AÇÕES DE 2015 A 2017






LINK JORNAL DSTCAM/SITRAEMG

A criação do DEPARTAMENTO DE SAÚDE DO TRABALHADOR E COMBATE AO ASSÉDIO MORAL (DSTCAM) foi concretizada no X Congresso Ordinário do SITRAEMG em abril de 2015, o qual deliberou a necessidade de lutar por saúde, trabalho digno, contra o autoritarismo, a sobrecarga de trabalho e combater o assédio moral.

O departamento foi lançado nos atos públicos em frente aos tribunais em julho de 2015, em plena greve histórica do funcionalismo público federal. Pude acompanhar o  início desta luta, participando de assembleias e atos públicos, indo a Brasília, viajando por 8 comarcas nos encontros regionais, levando a temática do assédio moral como luta política do sindicato em prol da saúde do trabalhador. Além disso, realizamos eventos como as rodas de conversa em Belo Horizonte e no interior, além do Seminário de Saúde do Trabalhador em novembro de 2016, com a participação dos maiores especialistas do Brasil na temática saúde do trabalhador e combate ao assédio moral, palestras disponibilizadas no site do sindicato. Realizei mais de 200 sessões de atendimento individual para orientação a servidores que vivenciavam mal estar no trabalho e análise de casos enviados por e mail ou por contato telefônico.

O DSTCAM realizou dezenas de reuniões semanais para deliberar ações e estratégias, publicamos 4 jornais do DSTCAM focando o combate ao assédio moral em prol da saúde do trabalhador. Foi criado um link no site do Sitraemg onde além de nossas ações foram publicados diversos artigos focando a questão do assédio moral e sua relação com o sofrimento e adoecer do trabalhador. Levamos o trabalho do Sitraemg para congressos científicos como o da ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), o que referenda pela comunidade científica o trabalho realizado pelo Sindicato.

Destaco também a participação do Sitraemg no Comitê Gestor de Saúde do TRE e TRT, de acordo com a resolução 207 do CNJ, e o contato permanente com a Justiça Federal que pelo fato de ser seção judiciária, tem seu comitê gestor em Brasília no TRF1.

Fizemos manifestações em frente aos tribunais, distribuindo jornais, informando sobre o assédio moral, dialogando com os servidores, especialmente, no dia 2 de maio, dia de Combate ao Assédio Moral. Fizemos intervenção em duas comarcas, envolvendo conflito entre o coletivo de trabalhadores, além de diversas reuniões no TRE, TRT, Justiça Federal sempre que demandados pelos servidores, além do acompanhamento de perícias.

Neste período de eleições, continuamos nossos trabalhos e aguardamos o resultado, que será a escolha dos servidores entre as três chapas apresentadas. 

Arthur lobato
Psicólogo/saúde do trabalhador
Responsável pelo  DSTCAM  Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral do SITRAEMG.


LINK JORNAL DSTCAM/SITRAEMG


Ansiedade e depressão: novos nomes para o desespero humano

Por Arthur Lobato, psicólogo/saúde do trabalhador, responsável técnico pelo Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do SITRAEMG.


O filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (Copenhague 1813-1855) escreveu uma das mais brilhantes obras sobre o desespero humano que, resumidamente, pode ser sintetizada nas seguintes frases: desespero ante ser o que não se quer ser, ou o desespero de não conseguir ser o que se quer ser.
Abordando o tema sob o olhar da psicologia, podemos ver nas teses do autor dinamarquês seu correlato com a psicologia na análise da depressão e da ansiedade. Freud tem um nome para o desespero: pulsão de morte.
A depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, é o grande mal que afetará milhões de pessoas no planeta no século XXI. Geralmente, a depressão está ligada à frustração de não conseguir alcançar seus objetivos, sonhos, ilusões. Precisamos saber lidar com a adversidade e a grande adversária que a vida nos reserva é a morte. Este medo da morte é a raiz da crise existencial. Entretanto, este medo paralisante é recalcado pela nossa sociedade com o trabalho, o consumo, os passatempos, sublimados pela arte e pela religião, mas continua como um mal-estar permanente.
Vivemos em permanente tensão – por exemplo, quando sou obrigado a ser um ator social representando um personagem que é falso; quando agimos no trabalho obedecendo ordens absurdas, dizendo sempre “sim senhor”. Quando nosso potencial não está sendo bem aproveitado e, mesmo assim, continuamos trabalhando em um ambiente desmotivador, convivemos com fatores que geram tristeza, desânimo, melancolia, ou seja, o desespero de ser obrigado a ser alguém que não se quer ser, simplesmente para sobreviver. Por mais que pense, esforce ou batalhe, não ha nenhuma expectativa de melhora. Por isso, procura-se manter a imagem, a família, o emprego, mesmo não estando satisfeito ou feliz, e aos poucos, o desânimo, a frustração constante pode evoluir para um quadro depressivo. A depressão contém as sementes do desespero de ser o que não se quer ser.
Geralmente, a ansiedade está relacionada ao futuro, às preocupações que podem possuir um fundo de verdade, como a situação política e econômica de um país. Se vai conseguir pagar as contas no fim do mês. O medo do desemprego. A angústia de não dar conta do trabalho cada vez mais exigente, com as empresas e instituições seguindo um modelo obsessivo de metas e produtividade. Situações que geram ansiedade, angústia, ou seja, que levam ao desespero de não conseguir ser o que se quer ser. A depressão seria o sintoma do sujeito que “não suporta ser ele próprio”, nas palavras de Kierkegaard, já que, segundo o autor, “delícia é ser o que eu quero ser”, e suplício, “ser o eu que não quero ser”.
No serviço público, os estudos sobre absenteísmo apontam os transtornos mentais e emocionais como o principal fator de afastamento do trabalho. Qual será a relação destes transtornos com o desespero, já que “não podemos nos libertar de nós mesmos”, mas conviver, sem adoecer com nossas contradições e paradoxos da vida, da sociedade, do mundo do trabalho.
Diferente da doença física que mantém uma relação de causa e efeito entre o sintoma e o órgão adoecido, como, por exemplo, a cor amarela de alguém com hepatite remete ao fígado como órgão adoecido, quando falamos do estado mental, estamos falando de algo que como as emoções não pode ser medido. O cérebro de um deprimido, de um psicótico, de um gênio, de um criminoso em autópsias, não apresenta diferenças. Somente as doenças cerebrais como tumores, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros, são identificados na autópsia.
Por isso, o mental é regido pelas relações sociais, familiares, pela genética, pelo país em que se nasce, com sua cultura, normas, leis e tabus. Nessa interação entre indivíduo, seu semelhante, sua sociedade e sua cultura, surge o sujeito pensante, razão e emoção.
A principal forma de nos relacionarmos é pela linguagem, que, além de nos diferenciar de todos os animais, permite que haja comunicação, transmissão e aperfeiçoamento de conhecimento, e o ser humano só existe por causa da linguagem. Entretanto, nossa sociedade tirou este aspecto mágico, quase que divino da linguagem, que é a essência da relação eu-tu. A linguagem é banalizada desde a mais tenra infância como algo que em nós é tão natural como respirar, quando na realidade é um aprendizado, pois é o outro que me ensina a falar, escrever. A escola nos ensina a pensar, calcular, medir, e a vida cria este ser único que sou eu, que é você. Iguais enquanto seres humanos, mas diferentes em nossa autonomia, desejos e pensamentos.
Kierkegaard já dizia “o reconhecimento produz o alívio”, ou seja, diminui a angústia, o sofrimento, o desespero, e devemos “ousar ser um indivíduo, não um qualquer, mas este que somos, isolado na imensidade de seu esforço e da sua responsabilidade”, sendo o ser humano, síntese de antagônicos (finito e infinito, temporal e eterno, liberdade e necessidade). Como dizia Freud, somos definidos enquanto sujeito, pela forma como lidamos com nossas pulsões, tanto as pulsões de vida quanto as mortíferas, e para isto, temos que nos relacionar com o mundo e com nossos semelhantes.
Assim, voltamos ao tema que me proponho a trabalhar, a saúde do trabalhador. O que acontece na relação de trabalho, no relacionamento interpessoal, para que haja tanto transtorno mental? Quando a emoção diz: não suporto mais!!!! Quando a mente esgotada por horas e horas de trabalho, ainda tem de trabalhar mais, como no conto de Fiódor Dostoiévski  que escrevi anteriormente. Esta é a reflexão que trago hoje: Como viver e conseguir ser o que se quer ser e conseguir escapar da pulsão de morte, que é o desespero humano?
Não há uma fórmula. Cada resposta é individual. Mas, coletivamente, no trabalho, temos que fortalecer nossa entidade sindical, pois, se no caso individual cada caso é um caso, o mal-estar que acontece no trabalho envolve o coletivo de trabalhadores e somente um sindicato forte, com a participação dos servidores, será uma  perspectiva na luta por direitos, por um ambiente saudável, no trabalho que não gere tanto sofrimento e desespero.
O SITRAEMG oferece a seus filiados atendimentos psicológicos individuais — A Clínica do Trabalho do DSTCAM. Assim, o Sindicato age de forma coletiva e oferece um espaço clínico para que cada um possa lidar melhor com sua angústia, ansiedade, no trabalho, enfrentando o desespero em encontros terapêuticos que possibilitem convivermos com nossa condição humana. Afinal, já afirmava Kierkegaard: “quanto mais consciência humana, mais eu haverá, quanto mais eu, mais vontade, quanto maior a vontade, maior será a consciência de si próprio”, e, assim, combatemos o desespero moderno cujos sintomas são a ansiedade e a depressão.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ARTIGO: DIA NACIONAL DE COMBATE AO ASSÉDIO MORAL

NO DIA NACIONAL DE COMBATE AO ASSÉDIO MORAL, ESPECIALISTA FALA SOBRE CONFLITOS NO TRABALHO
* Por Arthur Lobato

Quando pensamos nos conflitos no trabalho, que muitas vezes evoluem para o assédio moral, devemos analisar a natureza humana, afinal somos seres do conflito, como já diziam os filósofos e os reformadores religiosos. Um dos textos mais antigos do mundo, o hindu Bhaghavad-gitã, mostra a luta do guerreiro Arjuna contra outros guerreiros, mas, principalmente, contra si mesmo. Neste texto milenar encontramos a definição de Arjuna sobre a mente dividida, uma das características do ser humano: “A natureza da mente é vacilante, às vezes ela aceita algo e imediatamente rejeita a mesma coisa. O aceitar e o rejeitar constituem o processo da mente”.
Este pensamento que revela o ser clivado, dividido, tão bem analisado por Freud, encontramos também nos textos de um dos fundadores do cristianismo, o apóstolo Paulo, que escreveu na carta aos romanos: “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero, isso não faço, mas o que aborreço isso faço”.
Assim, temos o primeiro tipo de conflito, o conflito intrapsíquico, ou seja, conflito entre eu e eu mesmo. Uma das causas do conflito intrapsíquico é a realidade da morte, que não podemos negar, mas que buscamos através da religião, da arte, da loucura, subterfúgios para escapar desta dura realidade, nossa mortalidade, esse conflito entre viver e morrer, que gera o pânico, o desespero, a ansiedade, a depressão e este conflito só termina com nossa morte. Entretanto, segundo as religiões, ainda seremos julgados por nossos atos e pensamentos, e assim, vivos ainda imaginamos nosso conflito pós-morte.
Se somos seres do conflito, como conviver um com o outro?
A resposta é o poder absoluto do estado sobre o indivíduo, fruto do pacto social, como Thomas Hobbes escreveu em sua obra “O Leviatã”. O estado na pessoa do soberano e de suas instituições será mais forte e poderoso que o indivíduo e julgará e punirá os conflitos entre seus súditos. Mas nos conflitos entre estados, que levam às guerras, conflito entre nações, que são na realidade conflitos entre seres humanos de países diferentes, não é mais a violência de um indivíduo, mas a violência da comunidade. Afinal, por que tamanha violência de um ser humano contra outro ser humano? Por que é tão difícil “amar o próximo como a ti mesmo”?
Freud em sua obra “O mal estar na cultura” já avisava: “fora da civilização somente existe a barbárie”, ou seja, ou o ser humano reprime seus instintos agressivos ou uma sociedade realmente humana jamais existirá, pois como disse o psicanalista, fome e sexo são nossas pulsões primárias, e para satisfazê-las o ser humano realiza todas as transgressões, principalmente, matar, eliminar quem se opõe ao seu desejo, por isso a sociedade é construída no recalque destas pulsões primárias. Freud destaca em sua obra o “conflito de opinião”, que ocorre entre pessoas, e que pode levar à agressão verbal, agressão física e, no ambiente do trabalho, evoluir para o assédio moral.
No nosso campo de trabalho, a saúde do trabalhador, é muito comum no ambiente de trabalho os conflitos interpessoais, conflitos entre colegas de trabalho, por diversos motivos, principalmente os conflitos de opinião. É o conflito interpessoal, conflito entre duas ou mais pessoas.
Se somos seres do conflito tanto ontogenicamente (o indivíduo), como filogeneticamente (a espécie humana), o que diremos nos conflitos que acontecem no trabalho? E o que dizer do serviço público, onde concursados de diferentes idades, formação cultural, religião, gênero, devem trabalhar juntos e conviver entre si por anos e anos?  Só vendo o outro ao mesmo tempo como meu semelhante, mas respeitando sua alteridade, suas diferenças, características da subjetividade humana e praticando a tolerância podemos sobreviver enquanto espécie.
Por isso, é importante que saibamos que os conflitos interpessoais no trabalho são normais, pois o conflito é explícito, diferente do assédio moral que é feito de forma oculta. Dejours, fundador da psicodinâmica do trabalho, a qual analisa a relação de prazer e sofrimento no trabalho, afirma que o conflito é positivo, quando explicitado, debatido e que as partes envolvidas aceitem o que vai ser melhor para o trabalho a partir da análise do conflito e propostas de solução.
O mesmo não pode ser dito do assédio moral, pois há uma intenção de prejudicar, com atos, gestos e palavras direcionadas contra uma pessoa, atos e palavras feitas de forma dissimulada, ambígua, gerando dúvidas na autoestima e na capacidade laboral do assediado. Importante no assédio moral é como o modelo de gestão e a organização do trabalho são componentes deste processo. Um modelo de gestão que pregue a competitividade e o individualismo transforma colegas em adversários, e muitas vezes vale tudo para ter uma promoção ou um cargo ou função comissionada.
Sempre é bom lembrar o que é assédio moral: “é uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida, que ocorre no ambiente de trabalho, e que visa diminuir, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um indivíduo ou um grupo, degradando as condições de trabalho, atingindo sua dignidade e colocando em risco sua integridade pessoal e profissional.” Freitas, Heloani, Barreto (2008)
Quando lutamos contra o assédio moral, trabalhamos com a prevenção e com um processo educativo onde é importante lidar com conflitos, respeitando o outro, para também ser respeitado. Queremos dar visibilidade a este inimigo invisível no ambiente no trabalho, combater o psicoterror, a gestão por stress, e a organização de trabalho que favorece o adoecimento dos trabalhadores, seja por permitir ou não coibir o assédio moral, esta é uma luta política do SINJUS-MG, há mais de dez anos como referencia no combate ao assédio moral.
O SINJUS oferece ao sindicalizado o plantão de combate ao assédio moral, toda terça-feira, com a participação de um advogado, de um psicólogo e de um diretor do Sindicato. Dentro do Projeto Saúde do Trabalhador, há o atendimento psicológico individual toda quinta-feira.
Importante também é o trabalho da Comissão Paritária/Assédio Moral criada pela lei 116/2011 e regulamentada no TJMMG.  É uma instância interna do Tribunal muito útil para medições de conflitos no trabalho, contribuindo assim para um ambiente saudável no trabalho.
*Arthur Lobato é psicólogo/saúde do trabalhador.
Atendimento individual para servidores sindicalizados toda quinta-feira.



Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral na TV


No dia 2 de maio é celebrado no Brasil o Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral, conforme estabelece a Lei 4.326/2004, de autoria da então deputada pelo PT, a médica formada pela UNB, nascida em Januária, Minas Gerais, Maria José Conceição Maninha,

Data importante para que as empresas e entidades realizem atividades com objetivo de combate esse tipo de conduta no ambiente de trabalho.





Wagner Ferreira fala sobre o Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral no Trabalho


terça-feira, 11 de abril de 2017

Décima edição do “Minas em Diálogo” debate Assédio Moral no Serviço Público


Expositores acreditam que a informação é uma das formas de prevenir a prática do assédio moral no serviço público

Da esquerda para direita: Wadson Ribeiro, Mariah Brochado, Arthur Lobato,
Cibele Lopes e Pepe Chaves - Foto Marco Evangelista/ Ascom SECCRI
A décima edição do ciclo de debates “Minas em Diálogo” discutiu na tarde 
desta quarta-feira, 5 de abril, o tema Assédio Moral no Serviço Público. O 
evento ocorreu no Salão Vermelho da Procuradoria Geral do Estado de 
Minas Gerais, em Belo Horizonte.
Na abertura dos trabalhos, a Secretária de Estado Adjunta de Casa Civil e de 
Relações Institucionais (SECCRI), Mariah Brochado, afirmou que o assédio 
moral é um assunto de grande relevância. “Nós escolhemos um tema caro 
ao direito contemporâneo e à psicologia contemporânea", disse. Mariah 
Brochado lamentou o uso do assédio moral em detrimento da dignidade 
humana. “Pensar que as pessoas se municiam de uma hierarquia tão 
minúscula para poder se apropriar da humanidade do outro é algo muito 
grave e muito penoso”, declarou. A secretária destacou que a questão do 
assédio moral atinge, com mais rigor, o público feminino.“A mulher que está 
no mercado de trabalho sofre, diariamente, por não ter sua competência 
reconhecida e, quando tem, invariavelmente o seu trabalho é 
instrumentalizado sem o devido crédito ao seu talento, às suas competências 
e individualidade”, afirmou.
A mesma visão foi compartilhada pela Defensora Pública atuante na 
Defensoria Especializada de Defesa da Mulher Vítima de Violência, Cibele 
Cristina Maffia Lopes.  A defensora apontou práticas de assédio moral 
direcionadas ao público feminino, influenciadas diretamente por uma 
sociedade patriarcal que insiste em fomentar a desigualdade de gênero 
através de atos degradantes. “Nós mulheres exigimos respeito, porque nosso 
lugar é onde nós queremos estar e ponto”, ressaltou.  Cibele trouxe um 
importante dado sobre a prática do assédio moral. “Estudos apontam que 
36% da população economicamente ativa sofre assédio no trabalho”, afirmou.  
A defensora pública acredita que a prática é alimentada pela competitividade 
e reflete muitas desigualdades sociais. “O assédio moral, apesar de pouco 
discutido, é muito disseminado, porque reproduz um contexto social, 
econômico, organizacional e cultural de desigualdades, relacionadas, 
inclusive, às questões de gênero, raça e orientação sexual”, enfatizou. 
O Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, Pepe 
Chaves, relatou um pouco da sua experiência nos tribunais como jurista do 
trabalho. “Muitos processos que existem na justiça do trabalho atualmente 
tratam, de alguma forma, de dano moral e, muitos desses, sobre assédio 
moral”, afirmou. Chaves ressaltou que debater o assunto é importante para 
derrubar a cultura do autoritarismo e relembrou que até pouco tempo o 
assédio moral não era um assunto tratado na justiça do trabalho, além de 
afirmar que a prática mais abordada nos processos é o assédio moral 
classificado como organizacional. “É aquele assédio usado para aumentar a 
eficiência e a produção do setor”, explicou.
Ciclo de debates apontou os danos causados pela prática.
 Foto Marco Evangelista Ascom/SECCRI
Ouvidoria atuante
A mesa foi presidida pelo Ouvidor-Geral do Estado de Minas Gerais, Wadson 
Ribeiro. O mediador ressaltou o esforço do poder público, por meio da 
Ouvidoria Geral do Estado, em debater, identificar, prevenir e combater a 
prática do assédio moral no serviço público. “No mês de março e ao longo 
da semana de enfrentamento ao assédio, ocorrida em março, duas 
importantes atividades foram realizadas por parte da Ouvidoria Geral do 
Estado (OGE) com esse tema. Uma ocorreu no âmbito da ouvidoria 
especializada do sistema prisional e outra foi um importante seminário 
realizado na ouvidoria especializada da saúde, que revela a importância 
desse tema nos dias atuais”, destacou.
Saúde do trabalhador
O Coordenador da Comissão de Combate ao Assédio Moral do SINJUS e 
do SERJUSMIG, o psicólogo Arthur Lobato, explicou que um dos maiores 
prejuízos para a vida da vítima de assédio moral no trabalho é o adoecimento. 
Segundo o especialista, a principal causa de afastamento de trabalhadores 
do serviço público que foram vítimas da prática é o sofrimento mental e 
emocional.  “O assédio moral é um conjunto de práticas perversas feitas 
com intensão de prejudicar, através de uma forma dúbia e oculta, de forma 
que a vítima não perceba”, explicou.  O psicólogo esclareceu que no serviço 
público a prática chega a ser confundida como um método utilizado na 
melhoria do desempenho. “Na iniciativa pública o assédio moral é usado 
até como método de gestão”, afirmou.
Para o especialista, difundir o conhecimento e estimular o debate acerca do 
tema são medidas fundamentais para que o trabalhador saiba identificar uma 
situação de abuso de autoridade e destacou a importância da iniciativa da 
Casa Civil em discutir o tema. “Considero de grande importância o evento 
Minas em Diálogo e a discussão desse fenômeno que precisa ser enfrentado 
pelas instituições”, ressaltou.
Minas em Diálogo
O projeto Minas em Diálogo é uma realização do Núcleo Multifacetário do 
Estado de Minas (NUMEM) - uma parceria entre o Governo do Estado, por 
intermédio da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais, 
e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). São parceiros também o 
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Companhia de Desenvolvimento 
de Minas Gerais (CODEMIG). Os debates são realizados uma vez por mês, 
com a participação de especialistas no assunto e a sociedade.